Como proteger um ambiente do excesso de sol sem simplesmente bloquear a entrada de luz?
Essa é uma questão recorrente em projetos que utilizam grandes áreas envidraçadas. Afinal, aumentar a abertura de um edifício pode favorecer a iluminação natural, mas também trazer mais radiação solar, ofuscamento e exposição excessiva à luz.
Uma das respostas para esse desafio está nos sistemas de sombreamento. E um material normalmente associado à estética das fachadas também pode desempenhar um papel importante nessa estratégia: o metal expandido.
Vamos, então, destrinchá-lo.
E se o desenho da malha também fosse uma ferramenta de desempenho?
Quando pensamos em metal expandido, é natural prestar atenção primeiro ao desenho dos losangos e à aparência que a malha produz.
Mas, para os pesquisadores, a geometria representa muito mais do que uma escolha estética.
O estudo utilizou um modelo paramétrico que permitia variar diferentes características do metal expandido, como as dimensões da abertura, a largura dos elementos da malha e seu ângulo. A partir dessas combinações, os pesquisadores puderam avaliar como cada configuração afetava a entrada de luz no edifício.
A ideia é simples: duas chapas expandidas podem desempenhar funções semelhantes, mas produzir resultados diferentes dependendo da geometria escolhida.
Isso transforma a malha em uma variável de projeto.
Em vez de especificar o material apenas pela aparência, o arquiteto pode considerar também como suas características influenciam a relação entre o ambiente interno e a luz natural.
Mais de 3 mil possibilidades foram testadas
Para encontrar configurações capazes de equilibrar diferentes objetivos, os pesquisadores recorreram à chamada otimização multiobjetivo.
Na prática, o sistema avaliou milhares de combinações possíveis para tentar encontrar soluções que reduzissem a exposição excessiva à luz solar sem eliminar a iluminação natural útil.
Ao todo, foram geradas 3.176 soluções de projeto durante o processo de otimização.
O número ajuda a dimensionar a complexidade da questão.
Não existe necessariamente uma única configuração perfeita para uma fachada. Uma solução pode bloquear mais radiação, enquanto outra pode favorecer uma maior entrada de luz. O desafio é encontrar um equilíbrio adequado às necessidades do edifício.
E é justamente aí que o metal expandido ganha uma característica interessante para a arquitetura: a possibilidade de trabalhar com diferentes níveis de abertura e proteção a partir da própria geometria da malha.
O resultado: menos exposição ao sol e mais luz útil
Os resultados encontrados pelos pesquisadores mostram o potencial dessa abordagem.
Entre as configurações avaliadas, as soluções otimizadas conseguiram reduzir em 100% o ASE, indicador utilizado para medir a exposição anual excessiva à luz solar direta, enquanto o UDI, que representa a faixa de iluminação natural considerada útil, chegou a apresentar um aumento de aproximadamente 50% em relação à configuração de referência.
Em outras palavras, o objetivo não era simplesmente escurecer o ambiente.
A proposta era encontrar uma configuração capaz de filtrar o excesso de luz mantendo uma quantidade adequada de iluminação natural.
Essa diferença é importante.
Uma fachada excessivamente fechada pode reduzir a incidência solar, mas também pode exigir mais iluminação artificial. Já uma fachada muito aberta pode favorecer a entrada de luz, mas aumentar a exposição direta e o risco de desconforto visual.
O estudo mostra como o metal expandido pode ser explorado justamente nesse espaço intermediário.
A fachada pode ser eficiente sem deixar de ser bonita
Há ainda outro aspecto interessante na pesquisa: as soluções encontradas não precisaram seguir um único padrão visual.
Como diferentes parâmetros geométricos podiam ser combinados, o processo de otimização gerou diferentes possibilidades de aparência e desempenho.
Isso é particularmente relevante para a arquitetura.
A busca por uma fachada com melhor desempenho não precisa significar abrir mão da identidade visual do projeto. O padrão da malha, seu nível de transparência e sua relação com a estrutura podem participar da composição estética do edifício ao mesmo tempo em que cumprem uma função ambiental.
É uma mudança de perspectiva importante: o metal deixa de ser apenas um acabamento e passa a fazer parte da estratégia arquitetônica.
Essa característica ajuda a explicar por que chapas expandidas aparecem em aplicações como fachadas, brises, elementos de sombreamento, revestimentos e divisórias.
O melhor desenho depende do projeto
É importante, porém, não interpretar os resultados como se existisse uma configuração universal de metal expandido capaz de produzir o mesmo efeito em qualquer edifício.
A pesquisa foi baseada em simulações e em condições específicas de projeto. A orientação da fachada, o tamanho das aberturas, o clima, o tipo de vidro e as características da própria malha são alguns dos fatores que podem alterar o resultado.
Por isso, o principal aprendizado do estudo talvez não seja a existência de uma “malha ideal”, mas justamente o contrário: a geometria pode ser escolhida de acordo com o problema que o projeto precisa resolver.

Quando o metal passa a fazer parte da estratégia arquitetônica
O estudo reforça uma ideia que vem ganhando espaço na arquitetura: materiais utilizados na fachada podem desempenhar funções que vão muito além da aparência.
No caso do metal expandido, a própria configuração da malha pode ser explorada para controlar a relação entre o edifício e a luz natural, criando uma camada de proteção sem necessariamente bloquear completamente a visão ou a iluminação.
Para arquitetos e especificadores, isso amplia as possibilidades de uso do material. A escolha deixa de ser apenas entre “usar ou não usar metal expandido” e passa a envolver qual malha, qual abertura e qual configuração fazem mais sentido para aquele projeto.
Na Bepex, metais expandidos podem ser utilizados em diferentes soluções arquitetônicas, incluindo fachadas, brises, revestimentos e outros elementos personalizados.
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